Conciliar trabalho e familia, um desafio

Photo by adesigna via Flickr, under Creative Commons Licence

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Comecei a escrever este post no dia 21/02/2011:

“Tem um pouco mais de um mês que eu voltei a trabalhar. Não soltei fogos de artifício por aqui, embora merecesse, por aquele medinho básico de falar demais e estragar. Mas agora que já está consolidado, já passou o período de prova, já fiz amigos e tudo. Já até comprei roupinha nova pra trabalhar, quer dizer, estou curtindo. Não é nada demais, mas pra situação atual na Espanha qualquer coisa é uma grande coisa.

O melhor é o horário, que casa certinho com o horário da creche, então mesmo que o Silviu volte a trabalhar – oxalá antes cedo que tarde – dá pra eu mesma levá-la e buscá-la. Mas por enquanto é ele que faz isso. Então eu saio de casa e deixo os dois lá, naquela cumplicidade de pai e filha. Acho lindo e me dá uma peninha, mas sei que também é um passo mais no caminho da independência dela. E o meu. Se bem que uma das primeiras consequências foi um grude meu nela, de nem querer saber de sair e deixar ela sozinha. Meio que uma regressão daquele dia que fomos jantar e ficamos fora até tarde, e de todas as noites que saí no Brasil sem culpa nenhuma e deixei ela lá dormindo aos cuidados da vovó.

Tô aqui divagando, mas é preciso.”

Corta para 20/10/2014.  Mesmo trabalho bacaninha, uma filha a mais na conta, algumas rugas e muitos cabelos brancos.  Confesso que só tenho um pouco de tempo para escrever porque tem um mês que meus sogros estão em casa e realmente não posso me queixar de estar fisicamente cansada. Beatriz tem dois anos recém cumpridos e dorme a noite toda na sua cama, a menos que eu saia de noite. Aí ela vem pra minha cama e nenhuma das duas dormem. Mas eu sou firme, persistirei.

Aqui na Espanha se fala muito nisso de conciliação entre trabalho e vida pessoal. Acho bonito, um desejo que de tanto repetir algum dia vira realidade. De momento a realidade é que sem políticas familiares reais e decentes, são as mulheres que acabam aguentando a dupla jornada. E quem não tem avós por perto tem que se virar. Trabalho de meio período é super difícil conseguir e o horário das escolas não combina com o horário da maioria das empresas. Sem contar as férias escolares, mas isso já é outro assunto.

Claro que isso é a situação geral, há exceções exemplares. Quem tem um emprego estável, por exemplo, o que nem de longe é a maioria, pode pedir redução de jornada com redução de salário.  E há empresas, principalmente multinacionais, que entendem que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal gera benefícios, aumenta a produtividade, diminui as ausências por doença e ajuda a reter os bons empregados. Já  no setor público, são pioneiros na introdução da “jornada intensiva”, ou seja, 7 horas seguidas, com uma pausa para o café (e um sanduiche de jamon!) e tchau. Com isso, a maioria das pessoas da administração pública entra cedo (entre 7 e 8) e no máximo às 3 da tarde já está na rua.  O resto tem que aguentar jornadas partidas (com mais de duas horas de almoço) ou horários de saída que não permitem as famílias jantarem juntas, por exemplo, ou jantar antes das 9 da noite.

Outra opção, mais ousada e arriscada, é estabelecer-se por conta própria. Claro que para ganhar muito bem é preciso trabalhar muito, não há lanche grátis, mas aí já é uma questão de prioridades. Aqui em casa temos dois salários e vamos nos virando para conseguir ter a casa em ordem, as meninas felizes e um pouco de saúde mental (lazer). Ano passado me propus mudar de trabalho, e ainda estou aqui. Li em algum lugar uma frase que mudou meu jeito de pensar:

“Se a situação atual não é satisfatória, mude-a. E se não puder mudar, mude a forma de pensar sobre o assunto.”

Já fiz muita coisa na loucura, no improviso, pra ver o que ia dar. Em geral não deu certo. Melhor ter um objetivo e um bom plano para consegui-lo. Só assim a gente sabe se teve sucesso.

5 Coisas que aprendi com minha mãe

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Mother – Brooklyn Museum . org (Arte egípcia)

Passei o dia das mães (do Brasil) com minhas filhas, mas longe da minha mãe. Pensando nela, fiquei triste de estar aqui, tão longe e não poder nem dar um abraço uta-coração, ou fazer massagem nos seus pés vendo a novela. Pensando (e sentindo e amando), me dou conta do sortuda que sou por ser sua filha e deixo aqui pra que ela também nunca esqueça, algumas das muitas coisas que aprendi com ela e que me fazem ser quem sou.

1. É possível ser uma profissional de sucesso, reconhecida entre seus colegas e socialmente, e mãe. Ser, no sentido mais amplo do termo, é uma responsabilidade imensa. Querendo ou não, sempre somos um modelo, um exemplo, para nossos filhos e os filhos dos outros, e colegas, etc. Influenciamos as vidas e a personalidade das pessoas que nos rodeam seja ativamente ou por omissão. Não precisa ser Angelina Jolie ou ter um blog mega-famoso para que as pessoas prestem atenção no que você faz e se comparem, seja para copiar ou para fazer exatamente o contrário. Minha mãe sempre disse, a mim e meu irmão, que poderíamos ser e fazer qualquer coisa que quiséssemos, o que nos interessasse. Nossa mãe é a primeira pessoa que vemos fazendo coisas e quanto mais coisas vemos, mais sabemos que somos capazes de fazer. Entre as muitas habilidades da minha mãe estão conselheira, doceira, organizadora de eventos, chef de cozinha, administradora, fazedora de amigos, coach, guia turística, hoteleira. Isso sem contar as coisas que ela faz por dinheiro – legalmente, hein?!! E na escola, ia a todas as reuniões, participava ativamente na Associação de Pais, enfim, pau pra toda obra, sempre interessada. E sem nunca deixar de ser uma grande profissional, querida por seus colegas e subordinados, que muitas vezes virarão e ainda são seus melhores amigos. 

2. A generosidade gera alegria. Minha mãe é uma grande compradora. Sempre sabe as melhores ofertas, conhece todos os outlets bacanas, mercados e brechós, no Brasil e por onde ela vá. Isso poderia parecer frívolo se ela fosse uma acumuladora sem critério. Mas ela compra quase sempre para os outros, pensando nos demais em cada coisa que faz. Há muitos estudos sobre a felicidade que concluem que receber é bom, mas dar é muito melhor. Um fator importante do ato de presentear, é a alegria daquele que dá o presente, no ato mesmo de dar. E nisso ela é campeã, viu?

3. Feito em casa é melhor. (Bolo de mãe não engorda). Já falei disso em outro post, mas minha mãe já era adepta da alimentação natural, sem aditivos nem colorantes, e se possível feito em casa, antes disso virar moda. Nos anos setenta (já estou aqui confessando a idade… ) e sem ser hippie, em casa só tinha suco natural,  o bolo de cada domingo era sagrado, pipoca era de panela, bolinho de chuva – quando chovia, e comida caseira todos os dias. Além de que sempre que tinha pique-nique na escola, mesmo ela estando atolada de trabalho, encontrava um tempinho para fazer a comida que eu ia levar. Além de boas lembranças, tenho isso como um estímulo, um grande exemplo a seguir. O maior presente que a gente pode dar é o nosso tempo. Quando tudo já foi inventado, quando tudo está a um click e pode ser entregue em 48 horas não importa de onde venha, receber uma coisa feita à mão, sabendo que precisou de horas de dedicação e carinho, não tem preço.

4. Sempre há tempo para aprender algo novo. Depois de mais de 30 anos dedicada ao mundo do marketing, decidiu voltar a estudar, mudar de profissão e agora também é tradutora. Pra mim, que ainda não sei o que quero ser quando crescer, é uma grande fonte de inspiração. Sempre. Sem medo de arriscar e se entregar completamente a cada projeto.

5. Mãe só tem uma. Para o bem e para o mal, essa é a mãe que a gente tem. Se a relação é boa, aproveite. Se é ruim, conserte que vale a pena. Nunca perca a oportunidade de dizer eu te amo e de agradecer por nos ter dado à vida. Mesmo de longe, mesmo que não seja cada dia. Ou cada semana. Obrigada, mãe.

Pequeno Dicionário (Beatriz)

Beatriz fala a língua do T, saca? Do alto dos seus 19 meses, são pouquíssimas as palavras que ela fala e que alguém entende. Na verdade, ela sente verdadeira emoção quando diz o nome de alguma coisa e a outra pessoa entende, tadinha. Por isso, antes que isso também passe e ela possa ter conversas inteligentes ou nem tanto com sua irmã, recolho aqui algumas palvras, seus usos e alguma tradução. Só lembrando que ela “conversa” em português, romeno, espanhol, e catalão…

Tetita, te-ti-ta: mamãe, quero mamar!

Ta-ti-ta: salsicha

Ti: Sim

Ta-ta-to: sapato

Tó: toma, pra você

Ta-tá: ya está (pronto, acabou, listo)

tu-tu: tudo. ela diz quando, por exemplo, terminou de comer tudo do prato

E alguma palavrinha também usando outras consoantes:

Beinbê / vem vê (fala e faz assim com a maozinha, te chamando pra ver alguma coisa)

meeeee: É MEU!!!!!!!

Ana: foi praticamente a primeira coisa que ela disse

Apa: é água em romeno e ela usa pra pedir água, ou qualquer recipiente que possa conter água, não necessariamente com intenção de beber.

Ma-ma-in: sou eu… Se bem que às vezes ela diz ma-má e quando vê que eu não respondo, engancha um in no final. Bem cara de pau, né?

naum: não!

pá: pão

na-na-na: Banana

Pa-pá: papai na maioria das vezes. Mas ela também usa quando quer dizer que tem que fazer cocô… Assim que ela aprender o som do Ka isso vai passar.

Tá-ta: é a Ana. Aqui na Espanha se usa tata para chamar à irmã maior.

Muitas dessas palavras são iguais ou bem parecidas em português e catalão e são coisas que ela repete da Ana. É bonito de mais ver o amor que uma tem pela outra. Todos os dias eu agradeço por poder viver isso, por mais difícil que seja, às vezes.

 

 

Mãe de duas: conflitos na hora de vestir e outras histórias

Beíta tem 18 meses, Anita tem 3,5 anos. Vejo meu futuro tão negro no quesito vestir todo mundo de manhã para sair que estou cogitando seriamente instituir uniforme lá em casa. Já contei alguma vez que a Mini (a mais velha) só usa vestido ou saia, sempre com meia-calça. Quando chega a primavera e o calor, a adaptação é difícil, tirar a meia-calça é um trauma. Mas como em todo o resto, confio que este tempo passará. O caso é que agora, Beíta, que nem sabe falar ainda, resolveu seguir os passos da irmã. Escolhe roupa e sapato e está me deixando louca. E claro, como ela não sabe falar mamãe, quero aquela calça de coração, ela só diz não. Esse não, outro não. Não, não e não. E tudo no chão. Um sufoco. E depois o sapato. Ela já aprendeu a por e tirar, coisas de criança de guarderia. Então é um deus-me-livre. Passa horas brincando de trocar sapatos.  Só que. na hora de sair? Por favor, não. E, francamente, a tendência neste caso é só piorar. Com a Ana eu ameacei com isso do uniforme e meio que funcionou. Não sei se ela sabe o que é uniforme, e de qualquer forma hoje ela já vai vestida com uma bata de xadrez, mas foi dizer que ela ir vestir igual todos os dias que ela melhorou bas-tan-te a atitude. A pequena acho que não entende nem o conceito de igual, então tenho que respirar fundo e não dar muita importância pra coisa.
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Outro sinal de que Beíta já não é um bebê é que ela anda morrendo de amores por um tal de Teddy. Teddy é fofo, simpático, apesar de que faz um pouco de barulho quando anda. Usa um macacão rosa e parece que está sempre chorando de um olho. Beíta faz dele gato-e-sapato, mas já não vai pra cama sem ele. A mera visão de Teddy jogado no sofá já faz a mãozinha dela tremer. Com Teddy em braços ela fica muito mais tranquila. E não posso esquecer de dizer que se até hoje ela não usou chupeta, não foi por minha (falta) vontade ou preguiça não. É que a bichinha não entendia a graça da coisa. Mas de repente, mais ou menos junto com começar a dormir a noite toda no berço, ela começou a curtir a chupeta. Ainda é cedo pra saber como isso vai terminar. De momento curto muito ver como essa coisinha que até ontem era parte de mim está cada dia mais independente, mas pessoinha.

O jogo com a Ana está já em outro nível. Ela argumenta, discute, pede, implora, promete, chora. Mulher, né? Leio muito sobre como me comunicar com ela. Comunicação não violenta, essas coisas. Meu livro preferido é “Você fala seu filho escuta, você escuta seu filho fala”.  É um manual ilustrado, que apesar de parecer um livro chato sobre monólogos com filhos mais velhos, na verdade é um manual ilustrado sobre comunicação com crianças de todas as idades! Um dos pilares do livro é o fortalecimento da autonomia e independência das crianças, no tempo certo. Para mim significa encontrar o equilíbrio entre a criação com apego – acho que para que sejam independentes as crianças primeiro precisam ter todas as necessidades cobertas e plena confiança nos pais e cuidadores – e a formação de um caráter autônomo. Uma das coisas que as autoras ensinam é sempre dar opções para as crianças, ao invés de impor coisas aos pequenos. Na prática, é transformar sua ordem em uma pergunta com duas alternativas, em que o adulto está confortável com qualquer que seja a decisão da criança. Ao invés de perguntar o que você quer de sobremesa, pergunte você quer maça ou banana, por exemplo. Ao invés de dizer toma logo esse leite, pergunte se a criança quer tomar um copo inteiro ou só a metade. E assim por diante. Minhas manhãs estão cheias de perguntas do tipo “quer levantar agora ou daqui cinco minutos?”, “quer vestir calça ou meia-calça?”, “quer comer o sanduiche aqui ou na escola”. E por ai vai. Outro dia, aconteceu uma coisa engraçada. Ela queria levar pro lanche na escola um leite com chocolate, más não tinha. Passou uns 15 minutos falando isso, tipo disco riscado. Tentei explicar, argumentar, disse até que não era de sacanagem não, era só que realmente não tinha. Não adiantou nada! Até que eu lembrei de uma estrategia do livro: conceda o desejo da criança na imaginação. Assim: eu também adoraria ter um cacaolat gigante, nunca mais ter que beber água, abrir a torneira e sair colacao… Ummmm, que maravilha! E aí ela ficou quieta. Parou e nunca mais voltou no assunto. Não sei se foi de espanto, ou se ela pensou que não ter mais água pra beber talvez não fosse de todo uma boa idéia. Só sei que funcionou.
E vocês como solucionan estas situações?

Minha planta de Espada de São Jorge morreu, e agora?

Minha planta de Espada de São Jorge morreu, e agora?

Achei que era olho gordo, inveja, mau-olhado ou más vibrações, que é do que essa planta se supõe que protege. Mas segundo fontes mais científicas e profissionais, deve ser um caso não muito raro de excesso de água e frio. Essa planta é em realidade uma “suculenta”. Precisa de poucos cuidados, água só para deixar a terra húmeda e sol e ar puro. Se a sua casa está bem ventilada e iluminada – tem boas vibrações – e a planta pode até dar flor!