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Hoje a Ana faz três meses e atinge a maioridade dos bebês. Por isso as nossas histórias mudam de nome, para Mini e Maxi, ela e eu.

Verdade que já faz tempo que Meleca Amarela já nao significa nada, porque embora a cor continue a mesma, ela já faz muito mais que comer, dormir e sujar fralda. Ela agora tem muitas horas despertas, em que está muito atenta ao mundo ao seu redor. Já conhece melhor as cores e gosta de brincar com sua barra de bichinhos. Já usa faz tempo roupas de quatro meses e vai começar a ficar mais tempo no chao, naqueles tapetes de atividades.

Ela fala e grita e nao admite estar fora da conversa. Quer atençao, mas quer atençao com conteúdo. Conversar, cantar e dançar, se ela gosta ela dá risada. E quando ela está cansada, “pede” um colinho e um lugar tranquilo, pra tirar uma sonequinha…

Filha, como eu sou feliz de ser a sua mae, quanta coisa você me ensina todos os dias. E quando você aperta meu dedo pra dormir? É tanto amor que até dói.

Tempo

“Tempo é o que você faz com ele”, já dizia uma publicidade de relógios.

Quanto mais tempo a gente tem menos coisas a gente consegue fazer é algo que a gente aprende quando passa muito tempo sem ter o que fazer.

Que o tempo nao me pertence mais é algo que aprendi com a maternidade. Uma vez eu quis passar quatro camisas do Silviu e fazer o almoço e limpar o banheiro antes dele chegar para comer. Terminei frustrada, cansada e triste, porque a Ana chorou um monte. Eu passei só duas camisas e fiz o almoço, mas a limpeza ficou para outro dia. Pra me compensar da bobagem passei a tarde toda abraçadinha na Ana.

Outro dia eu queria encontrar as minhas amigas em Barcelona, mas coincidia com a hora do banho da Ana e dela dormir. Levá-la comigo nao era uma boa opçao por causa do transporte e tal. Entao pensei que, se ela dormisse logo depois do banho eu podia ir, já que ela dorme umas seis horas depois do banho. E o Silviu ia ficar com ela e eles se adoram. Mas eu já sabia, se ela nao dormisse, nada feito. E ela bem boazinha que é dormiu e eu fui. Foi o tempo de jantar, trocar os presentes do amigo secreto, tirar fotos, rir e voltar. Claro que foi estranho, porque até pra tomar banho eu levo ela comigo, e só deu certo porque quem decidia era ela.

Mamar a demanda é a causa e a consequência dessa atitude. Escutar ao bebê que tem fome, sede, ou quer um consolo. Passar com ele cada crise de crescimento quando de repente volta a querer mamar de hora em hora, mas também agradece quando um dia ela começa a dormir seis horas seguidas todas as noites.

Tem mae que chega ao cúmulo de fazer tudo em etapas. Até refogar uma cenoura é tarefa para dois dias. Um dia corta, outro cozinha. Estranho, mas fica todo mundo bem. Eu mesma comprovei isso, essa semana resolvi fazer geléia. Sozinha com ela consegui em uma tarde cortar a maça, cozinhar e coar, mas faltou a segunda fervida com o açúcar e por nos potes fervidos. Emendou com a hora do banho e foi bem chato. Tanto que nao deu certo. Teria saído melhor se tivesse deixado para o dia seguinte. Vivendo e aprendendo, cada dia um pouquinho melhor.

Pocoyizate

Eu e Ana ainda nao estamos na fase dos personagens, mas sei que quando chegar a hora é melhor eu estar preparada. Hoje vi no bebe y mas que no site do Mundo Pocoyo a gente pode fazer o nosso avatar de Pocoyo! Você pode fazer o seu aqui. Eu ia fazer a Ana, ma eu nao sei ainda que cor de cabelo ela vai ter ;)

Brinquedo para bebês

Até ontem a Ana nao dava a mínima para os seus brinquedinhos. Tinha um monte de bichinhos de pelúcia que fazem barulho, mas a sua reaçao era de total indiferença na maior parte das vezes. E muito de vez em quando um olhar curioso – com os olhos bem abertos assim redondos. Mas depois de uns minutos de jogo vinha o espanto e o pânico: tira isso já daqui! e o choro.

Mas ontem de manha, na aula de ioga, ela brincou de perseguir a chupeta que caiu quando ela estava deitada na minha barriga durante uma massagem. E aí foi isso, ela despertou para buscar a origem do som com o olhar. Ela segura o chocalho de girafa e meio que segura um boneco de cabeçao para dormir. E ela também gosta de brincar deitada de barriga pra baixo, aguenta a cabeça bem levantada, curiosa.

Eu sou meio ansiosa com essa coisa de desenvolvimento, mas tenho plena consciência de que cada criança é um mundo e faz as coisas no seu tempo. Eu adoro a minha menina e cada dia que passa penso que sorte tenho de ser a sua mae, com as coisas que vou aprendendo e tudo o mais.

O Natal

O Natal lá em casa sempre foi uma festa onde vinha muita gente. A família mais chegada e a expandida, incluindo a mae e a irma de um, umas amigas e suas maes. É assim, a ordem é nao ficar soziho. Cada um trazia uma coisa de comer e a mesa era a mais variada e rica que eu jamais vi. Tanta que no dia seguinte quase todo mundo voltava para comer o resto – enterrar os ossos como diz meu avô. Há uma troca de presentes simbólica e jogos de salao para entreter toda a tropa até bem tarde da noite. Criança nao tinha muita – eu e meu irmao e dois primos, depois duas primas mais – entao papai noel era coisa de outro dia. Lembro que tinha que esperar até a meia-noite para abrir os presentes, mas nao lembro de quando deixei de acreditar no bom velhinho.

Árvore sim que era um item origatório. Minha mae gosta de decorar – e colecionar enfeites – e nem sempre é o pinheiro, ela gosta de uma versao nacional da coisa. É bem verdade que eu nao me animava muito em ajudar, principalmente nos últimos anos antes de vir para a Espanha, mas isso nao tira que a árvore estava lá, com seus presentes, simbolizando a contagem regressiva para a grande festa.

Eu cresci, algumas das personagens dessa festa morreram, outras mudaram de país e até eu vim embora. A festa continua, com menos gente mas nao com menos alegria e sempre na minha caixinha de boas lembranças.

Aí que eu vim embora e já sao seis anos sem fazer árvore. Algum ano porque eu nao tinha nem casa, outros porque nao ia passar o Natal aqui e assim foi. Mas este ano é diferente, porque chegou a Ana. É verdade que ela ainda nao sabe nada disso, mas agora somos três, uma pequena família. E é hora de começar a construir a nossa própria tradiçao.

Por isso o Silviu foi ontem e trouxe uma árvora bem grande e bonita – de plástico – alguns enfeites, para eu poder começar a minha própria coleçao, e as luzes de led. A noite de natal nao vai ter Papai Noel – aqui a tradiçao é outra – mas vai ter boa comida e muito boa companhia. Minha avó mandou um menino jesus pra começar um presépio – é a tradiçao dela – e o resto vai se ajeitando. Já estou esperando…

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