5 Coisas que aprendi com minha mãe

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Mother – Brooklyn Museum . org (Arte egípcia)

Passei o dia das mães (do Brasil) com minhas filhas, mas longe da minha mãe. Pensando nela, fiquei triste de estar aqui, tão longe e não poder nem dar um abraço uta-coração, ou fazer massagem nos seus pés vendo a novela. Pensando (e sentindo e amando), me dou conta do sortuda que sou por ser sua filha e deixo aqui pra que ela também nunca esqueça, algumas das muitas coisas que aprendi com ela e que me fazem ser quem sou.

1. É possível ser uma profissional de sucesso, reconhecida entre seus colegas e socialmente, e mãe. Ser, no sentido mais amplo do termo, é uma responsabilidade imensa. Querendo ou não, sempre somos um modelo, um exemplo, para nossos filhos e os filhos dos outros, e colegas, etc. Influenciamos as vidas e a personalidade das pessoas que nos rodeam seja ativamente ou por omissão. Não precisa ser Angelina Jolie ou ter um blog mega-famoso para que as pessoas prestem atenção no que você faz e se comparem, seja para copiar ou para fazer exatamente o contrário. Minha mãe sempre disse, a mim e meu irmão, que poderíamos ser e fazer qualquer coisa que quiséssemos, o que nos interessasse. Nossa mãe é a primeira pessoa que vemos fazendo coisas e quanto mais coisas vemos, mais sabemos que somos capazes de fazer. Entre as muitas habilidades da minha mãe estão conselheira, doceira, organizadora de eventos, chef de cozinha, administradora, fazedora de amigos, coach, guia turística, hoteleira. Isso sem contar as coisas que ela faz por dinheiro – legalmente, hein?!! E na escola, ia a todas as reuniões, participava ativamente na Associação de Pais, enfim, pau pra toda obra, sempre interessada. E sem nunca deixar de ser uma grande profissional, querida por seus colegas e subordinados, que muitas vezes virarão e ainda são seus melhores amigos. 

2. A generosidade gera alegria. Minha mãe é uma grande compradora. Sempre sabe as melhores ofertas, conhece todos os outlets bacanas, mercados e brechós, no Brasil e por onde ela vá. Isso poderia parecer frívolo se ela fosse uma acumuladora sem critério. Mas ela compra quase sempre para os outros, pensando nos demais em cada coisa que faz. Há muitos estudos sobre a felicidade que concluem que receber é bom, mas dar é muito melhor. Um fator importante do ato de presentear, é a alegria daquele que dá o presente, no ato mesmo de dar. E nisso ela é campeã, viu?

3. Feito em casa é melhor. (Bolo de mãe não engorda). Já falei disso em outro post, mas minha mãe já era adepta da alimentação natural, sem aditivos nem colorantes, e se possível feito em casa, antes disso virar moda. Nos anos setenta (já estou aqui confessando a idade… ) e sem ser hippie, em casa só tinha suco natural,  o bolo de cada domingo era sagrado, pipoca era de panela, bolinho de chuva – quando chovia, e comida caseira todos os dias. Além de que sempre que tinha pique-nique na escola, mesmo ela estando atolada de trabalho, encontrava um tempinho para fazer a comida que eu ia levar. Além de boas lembranças, tenho isso como um estímulo, um grande exemplo a seguir. O maior presente que a gente pode dar é o nosso tempo. Quando tudo já foi inventado, quando tudo está a um click e pode ser entregue em 48 horas não importa de onde venha, receber uma coisa feita à mão, sabendo que precisou de horas de dedicação e carinho, não tem preço.

4. Sempre há tempo para aprender algo novo. Depois de mais de 30 anos dedicada ao mundo do marketing, decidiu voltar a estudar, mudar de profissão e agora também é tradutora. Pra mim, que ainda não sei o que quero ser quando crescer, é uma grande fonte de inspiração. Sempre. Sem medo de arriscar e se entregar completamente a cada projeto.

5. Mãe só tem uma. Para o bem e para o mal, essa é a mãe que a gente tem. Se a relação é boa, aproveite. Se é ruim, conserte que vale a pena. Nunca perca a oportunidade de dizer eu te amo e de agradecer por nos ter dado à vida. Mesmo de longe, mesmo que não seja cada dia. Ou cada semana. Obrigada, mãe.

Pequeno Dicionário (Beatriz)

Beatriz fala a língua do T, saca? Do alto dos seus 19 meses, são pouquíssimas as palavras que ela fala e que alguém entende. Na verdade, ela sente verdadeira emoção quando diz o nome de alguma coisa e a outra pessoa entende, tadinha. Por isso, antes que isso também passe e ela possa ter conversas inteligentes ou nem tanto com sua irmã, recolho aqui algumas palvras, seus usos e alguma tradução. Só lembrando que ela “conversa” em português, romeno, espanhol, e catalão…

Tetita, te-ti-ta: mamãe, quero mamar!

Ta-ti-ta: salsicha

Ti: Sim

Ta-ta-to: sapato

Tó: toma, pra você

Ta-tá: ya está (pronto, acabou, listo)

tu-tu: tudo. ela diz quando, por exemplo, terminou de comer tudo do prato

E alguma palavrinha também usando outras consoantes:

Beinbê / vem vê (fala e faz assim com a maozinha, te chamando pra ver alguma coisa)

meeeee: É MEU!!!!!!!

Ana: foi praticamente a primeira coisa que ela disse

Apa: é água em romeno e ela usa pra pedir água, ou qualquer recipiente que possa conter água, não necessariamente com intenção de beber.

Ma-ma-in: sou eu… Se bem que às vezes ela diz ma-má e quando vê que eu não respondo, engancha um in no final. Bem cara de pau, né?

naum: não!

pá: pão

na-na-na: Banana

Pa-pá: papai na maioria das vezes. Mas ela também usa quando quer dizer que tem que fazer cocô… Assim que ela aprender o som do Ka isso vai passar.

Tá-ta: é a Ana. Aqui na Espanha se usa tata para chamar à irmã maior.

Muitas dessas palavras são iguais ou bem parecidas em português e catalão e são coisas que ela repete da Ana. É bonito de mais ver o amor que uma tem pela outra. Todos os dias eu agradeço por poder viver isso, por mais difícil que seja, às vezes.

 

 

Mãe de duas: conflitos na hora de vestir e outras histórias

Beíta tem 18 meses, Anita tem 3,5 anos. Vejo meu futuro tão negro no quesito vestir todo mundo de manhã para sair que estou cogitando seriamente instituir uniforme lá em casa. Já contei alguma vez que a Mini (a mais velha) só usa vestido ou saia, sempre com meia-calça. Quando chega a primavera e o calor, a adaptação é difícil, tirar a meia-calça é um trauma. Mas como em todo o resto, confio que este tempo passará. O caso é que agora, Beíta, que nem sabe falar ainda, resolveu seguir os passos da irmã. Escolhe roupa e sapato e está me deixando louca. E claro, como ela não sabe falar mamãe, quero aquela calça de coração, ela só diz não. Esse não, outro não. Não, não e não. E tudo no chão. Um sufoco. E depois o sapato. Ela já aprendeu a por e tirar, coisas de criança de guarderia. Então é um deus-me-livre. Passa horas brincando de trocar sapatos.  Só que. na hora de sair? Por favor, não. E, francamente, a tendência neste caso é só piorar. Com a Ana eu ameacei com isso do uniforme e meio que funcionou. Não sei se ela sabe o que é uniforme, e de qualquer forma hoje ela já vai vestida com uma bata de xadrez, mas foi dizer que ela ir vestir igual todos os dias que ela melhorou bas-tan-te a atitude. A pequena acho que não entende nem o conceito de igual, então tenho que respirar fundo e não dar muita importância pra coisa.
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Outro sinal de que Beíta já não é um bebê é que ela anda morrendo de amores por um tal de Teddy. Teddy é fofo, simpático, apesar de que faz um pouco de barulho quando anda. Usa um macacão rosa e parece que está sempre chorando de um olho. Beíta faz dele gato-e-sapato, mas já não vai pra cama sem ele. A mera visão de Teddy jogado no sofá já faz a mãozinha dela tremer. Com Teddy em braços ela fica muito mais tranquila. E não posso esquecer de dizer que se até hoje ela não usou chupeta, não foi por minha (falta) vontade ou preguiça não. É que a bichinha não entendia a graça da coisa. Mas de repente, mais ou menos junto com começar a dormir a noite toda no berço, ela começou a curtir a chupeta. Ainda é cedo pra saber como isso vai terminar. De momento curto muito ver como essa coisinha que até ontem era parte de mim está cada dia mais independente, mas pessoinha.

O jogo com a Ana está já em outro nível. Ela argumenta, discute, pede, implora, promete, chora. Mulher, né? Leio muito sobre como me comunicar com ela. Comunicação não violenta, essas coisas. Meu livro preferido é “Você fala seu filho escuta, você escuta seu filho fala”.  É um manual ilustrado, que apesar de parecer um livro chato sobre monólogos com filhos mais velhos, na verdade é um manual ilustrado sobre comunicação com crianças de todas as idades! Um dos pilares do livro é o fortalecimento da autonomia e independência das crianças, no tempo certo. Para mim significa encontrar o equilíbrio entre a criação com apego – acho que para que sejam independentes as crianças primeiro precisam ter todas as necessidades cobertas e plena confiança nos pais e cuidadores – e a formação de um caráter autônomo. Uma das coisas que as autoras ensinam é sempre dar opções para as crianças, ao invés de impor coisas aos pequenos. Na prática, é transformar sua ordem em uma pergunta com duas alternativas, em que o adulto está confortável com qualquer que seja a decisão da criança. Ao invés de perguntar o que você quer de sobremesa, pergunte você quer maça ou banana, por exemplo. Ao invés de dizer toma logo esse leite, pergunte se a criança quer tomar um copo inteiro ou só a metade. E assim por diante. Minhas manhãs estão cheias de perguntas do tipo “quer levantar agora ou daqui cinco minutos?”, “quer vestir calça ou meia-calça?”, “quer comer o sanduiche aqui ou na escola”. E por ai vai. Outro dia, aconteceu uma coisa engraçada. Ela queria levar pro lanche na escola um leite com chocolate, más não tinha. Passou uns 15 minutos falando isso, tipo disco riscado. Tentei explicar, argumentar, disse até que não era de sacanagem não, era só que realmente não tinha. Não adiantou nada! Até que eu lembrei de uma estrategia do livro: conceda o desejo da criança na imaginação. Assim: eu também adoraria ter um cacaolat gigante, nunca mais ter que beber água, abrir a torneira e sair colacao… Ummmm, que maravilha! E aí ela ficou quieta. Parou e nunca mais voltou no assunto. Não sei se foi de espanto, ou se ela pensou que não ter mais água pra beber talvez não fosse de todo uma boa idéia. Só sei que funcionou.
E vocês como solucionan estas situações?

Minha planta de Espada de São Jorge morreu, e agora?

Minha planta de Espada de São Jorge morreu, e agora?

Achei que era olho gordo, inveja, mau-olhado ou más vibrações, que é do que essa planta se supõe que protege. Mas segundo fontes mais científicas e profissionais, deve ser um caso não muito raro de excesso de água e frio. Essa planta é em realidade uma “suculenta”. Precisa de poucos cuidados, água só para deixar a terra húmeda e sol e ar puro. Se a sua casa está bem ventilada e iluminada – tem boas vibrações – e a planta pode até dar flor!

Fevereiro, tem Carnaval! ou, de porque eu gosto de morar na Catalunha

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E falo Catalunha não por outro motivo, mas porque apesar de que a Espanha tem o mesmo tamanho que o estado de São Paulo, é um país riquíssimo em regionalismos. Pois aqui o Carnaval é muito celebrado, com festa na rua e nas escolas, fantasia e danças.  A festa, que começa na quinta ou sexta, é presidida pelo Rei Carnestoltes, o nosso Rei Momo. O Rei da Folia pode assumir a forma de vários animais, entre eles o Galo, como na minha cidade, ou a Sardinha, nas cidades costeiras. O Galo sai em desfile pela cidade e toma o lugar da prefeita, presidindo-a e dando toda sorte de ordens extravagantes, durante os dias de festa. Na terça-feira acontece um julgamento, no qual o galo é sempre condenado (e nós também, porque devemos voltar à “normalidade”). Na manhã seguinte, um autêntico enterro encerra os festejos e marca o início da Quaresma. Nas escolas, o calendário muda um pouco. O Rei chegou na sexta-feira e as crianças tinham que levar apitos e chocalhos, para receber  o Rei Carnestoltes. Durante esta semana, ele manda as crianças vestirem de forma diferente: um dia de chapéu, outro com a cara pintada, ontem a Ana tinha que ir de peruca, hoje foi de pijama. E na sexta-feira fazem o desfile, que corresponde ao enterro, encerrando o festival.  Nas cidades que celebram esta festa, o fim-de-semana tem festa, baile, desfile, para grandes e pequenos.  

Antes de ser mãe, eu, que no Brasil fugia da folia carnavalesca, batia ponto todo ano no Carnaval de Sitges. Tem festa pra criança também, só tem que achar a programação, juntar a fantasia, confete e serpentina e cair na folia!