As aventuras de Mini e Maxi · criando meninas · mãe que trabalha

Vida mais simples: começe pelo seu armário

Quem me conhece bem sabe que não sou nenhum exemplo de organização. Nem quando morava na casa da minha mãe, nem sozinha, nem depois de casar. Alterava momentos de mais ordem com outros de caos total, principalmente se tinha uma parte pública (do convívio de todos) de outra mais privada. Favor não olhar dentro dos armários. E não só isso, eu gosto de colecionar coisinhas. Melhor dizendo, gosto de encontrar e guardar coisas mais ou menos aleatoriamente. Potes, caixas, caixinhas e lembranças várias de quase tudo. Herança do tempo que a gente fazia agenda (uma forma rudimentar de scrapbook?), mas nunca cheguei a aprimorar, só guardava pra fazer depois e nunca fiz. Um caso típico de quem precisa de ajuda profissional.

Ou ter filhos. E ter duas filhas nascidas entre os signos de virgem e libra ajuda muito mais. A e Be precisam de ordem, beleza e harmonia para se sentirem bem. Eu já sabia que isso um dia ia virar uma emergência, mas pela minha natureza, adiei até o último momento. Se não vejamos:

Era uma manhã qualquer daquelas em que “meuhomem” estava de viagem e por isso tinha que me virar e fazer tudo sozinha pra tirar A e Be de casa vestidas e alimentadas, levar na escola e na creche, pegar o trem e chegar na hora no trabalho. Tipo, deixar a casa em ordem era minha prioridade -10. Ou nem isso. No meio daquele caos, eu já estava contando até 10 pela vigésima vez, om shanti om. Não acho justo gritar com elas logo de manhã, mas, ver todos os sapatos espalhados no chão – pra escolher, quando a gente devia ter saído cinco minutos antes, não é exatamente uma visão que me traz sensações positivas. Nessa hora, Be solta uma de suas pérolas: – Mamãe, porque a Oksana não vem hoje? – É. porque ela não vem todos os dias? Completou lindamente A. Eu, que sempre busco o porquê de tanta esperteza, perguntei se era porque elas achavam que a casa estava muito bagunçada. Disseram que sim, e por isso a Oksana deveria vir todos os dias. Então eu expliquei que a gente não tinha dinheiro para pagar a Oksana todos os dias, que era melhor a gente mesmo tentar deixar a casa em ordem. Elas acharam a idéia ótima, acrescentando: – Hoje de tarde a gente limpa tudo então.

Fiquei emocionada. Comprei kit de limpeza pra elas, olhei receitas de produtos de limpeza pra fazer em casa não agressivos, pesquisei formas de implantar uma rotina de limpeza pra elas sem me sentir a madrasta má da Cinderela. Tudo muito didático, viu? Mas confesso que minha mania de procrastinar foi mais forte. Eu sempre lembro de chamá-las para ajudar, mas sem muita disciplina. Só que de tanto ler e pesquisar sobre essas coisas no Pinterest, a idéia acabou grudando na minha cabeça. E quando eu cismo com uma coisa, ai meu deus.

Começou com um amor por esta web: Life Edited, criada por um ex-hippie que ficou rico com um projeto ambiental. Defende uns valores e uma estética que gosto muito. Uma vida mais simples, com menos coisas e mais funcionais. Móveis multifuncionais, espaços de usos duplos para permitir viver no centro das cidades, com todas as vantagens que isso representa – desde que você esteja em uma cidade decente, segura, com boa oferta cultural, educativa e de áreas públicas. Não que eu queira ir morar em um mini-apartamento em Barcelona, mas as idéias servem pro meu quarto de hóspedes/escritório. E mais que isso, me deixa preparada para o desapego. Acho que foi lá que ouvi falar pela primeira vez no método Konmari de organização japonesa.

Se bem que a idéia não é original (reduzir o número de coisas, por cada coisa em seu lugar e manter assim) a forma de aplicar é. Apesar de já me sentir uma expert no assunto, ainda não consegui comprar o livro, assim que se alguém já o tiver lido, pode passar pra mim! Mas quero compartilhar aqui minhas descobertas, pra ver até onde eu posso chegar. Começo com 10 princípios da arte de organizar tudo, que comecei a por em prática em julho e com fim programado para janeiro. Vamos ver o que posso fazer até lá.

  1. Organizar por categorias. Enquanto muitos gurus da organização defendem a idéia de fazer um cômodo de cada vez, ela diz que devemos organizar por categoria – roupa, livros, papéis, lembranças, banheiro e cozinha.
  2. Fazer tudo de uma vez. Segundo ela, arrumar a casa deve ser uma tarefa única. Se você resolver arrumar um pouco cada dia, vai passar a vida organizando. Se começar com as roupas, tire tudo do armário e faça primeiro a seleção. De qualquer forma, esse processo único e exaustivo pode demorar uns seis meses.
  3. Manter somente as coisas que te falam ao coração, que te emocionam. Essa regra de ouro vai guiar todo o processo.
  4. Agradeça cada coisa antes de descartar. Pode parecer estranho “falar” com coisas, mas é óbvio que está propondo uma conversa interior. Aprecie as coisas pelo que elas representaram, agradeça esta parte de sua vida, diga adeus e vá-se embora.
  5. Encontre um lugar para cada coisa. É mais fácil por cada coisa no seu lugar que ficar pensando onde guardar as coisas cada vez.
  6. Guarde as coisas que modo que fiquem sempre visíveis. Assim você vai usar mais as coisas que você ama.

    gaveta de jerseis
    dobrados de forma a manterem-se de pé, tudo está sempre em ordem
  7. Ordene as coisas de esquerda para direita, das mais pesadas às mais leves. E agrupadas por tipo de roupa (blusas, saias, vestidos) e, dentro desta categoria, por cores.

    roupas no armario
    Roupas agrupadas por tipo, ainda era um trabalho em andamento
  8. As roupas podem ir penduradas ou dobradas. Depende de como cada roupa se “sente” melhor.

    gaveta de Be, roupa arquivada verticalmente, para visualizar melhor
    gaveta de Be, roupa arquivada verticalmente, para visualizar melhor
  9. A técnica de dobrar a roupa em pequenos retângulos (camisetas, calças, meias, tudo) é o que transforma esse método em um vício.
  10. nao é necessário comprar novos meios de armazenagem. Aproveite coisas que você já tem em casa. (Adorei, porque dá um fim útil para as minhas caixinhas, latas e potes de vidro!

    DIY com caixas de cereais cortadas para arquivar verticalmente os vidros de tempero. Falta aquele toque profissional nas etiquetas.
    DIY com caixas de cereais cortadas para arquivar verticalmente os vidros de tempero. Falta aquele toque profissional nas etiquetas.

Comecei este post há uns quatro meses, mais ou menos quando fiz a primeira seleção das coisas que ficam. Ainda tinha lido pouco sobre a Marie Kondo e seu método, por isso meu critério foi outro e não tive uma grande conversa com nenhuma das coisas que foram para a cesta de dar/vender/reciclar. Usei um critério geral de 80/20, segundo o qual 20% da sua energia gera 80% dos resultados. Neste caso, 20% das suas roupas são usadas em 80% das vezes e por tanto você só precisa delas. Pra saber o que vai e o que fica é só ver depois de um período de rotação X, digamos duas semanas, que roupas não foram pro cesto de roupa suja. Todas elas são grandes candidatas. Foi assim que mandei embora roupas que me serviam perfeitamente, mas que qualquer motivo não achava a ocasião de usar. Mas fiquei parada naquelas peças que para mim tinham algum valor sentimental. Que me lembram de pessoas, eventos, eu mesma. Com o método konmari essas roupas ficam salvas. Com a vantagem adicional que como você vai ter menos roupas, vai acabar usando tudo o que você tem, até essas roupas que estavam guardadas para uma ocasião especial.

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