bitácora · familia

Ano-Novo, de novo

Enquanto eu estou aqui no escritório trabalhando, muitas de vocês leitoras (e leitores) estão por aí de férias, curtindo a praia, a montanha, calor, neve, amigos, família. Mas alguém tem que trabalhar, né? Então aproveito entre um atendimento e outro e atualizo o blog e de quebra revejo o ano e faço públicas minhas resoluções de ano-novo.

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Em 2013, fiz assim minhas resoluções de ano-novo. Tinha basicamente um ponto profissional e outro pessoal. Profissionalmente, eu queria mudar de trabalho e pessoalmente queria fazer uma viagem ao Brasil com a família toda. Uma difícil e outra fácil, porque como eu dizia lá naquele post o cérebro faz um esforço maior para evitar o sofrimento que para buscar o prazer. Querer mudar de trabalho tinha mais dor associada com a incerteza e com as possibilidades de fracasso que com algum prazer conseguido com coisas como mais liberdade, mais tempo com as meninas, mais disposição para fazer coisas divertidas em família, com amigos e com o marido. Assim que continuei onde estava, mas bem no finzinho do ano resolvi reduzir as horas, como um passo intermediário à mudança total. Algumas horas a menos no escritório se traduzem em mais horas em casa, meninas mais tranquilas, casa mais organizada, tempo de ver as amigas, ler, escrever. Verdade que o marido ainda é assunto pendente, mas isso porque isso é coisa de dois. Por outro lado, é menos dinheiro. E por isso o plano para este ano é começar a fazer outras coisas, pondo em prática o que já era o desejo ano passado: alguma coisa criativa que tenha um impacto positivo na vida das pessoas. Vago demais para sair do papel, mas enfim, é um critério.

Ir ao Brasil era um plano emocional e financeiro. Para realizá-lo criamos para a família um orçamento. Dá muita liberdade e responsabilidade e mostra exatamente onde estamos e como chegar lá. Emocionalmente era fundamental levar as meninas para ter sua dose de sol e famíla. Correu tudo às mil maravilhas. Passei tempo com as pessoas que mais gosto, vi amigos que não via a muito tempo e que representam muito para mim e minha história.

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Apesar de que não estava na lista de resoluções, durante o ano eu fui acrescentando micro-objetivos, que foram saindo adiante. Ter mais tempo com o marido é provavelmente o maior desafio das mulheres trabalhadoras ou não, com filhos. A Beatriz já dorme toda a noite na cama dela e por isso eu posso ir dormir um pouco mais tarde e ter aquela meia hora de conversa adulta por dia. Conseguido. Em todas as nossas viagens tiramos dias (noites) só para nós e as pequerruchas ficaram numa boa com os avós. Reconheço que podemos melhorar, mas estamos no bom caminho. Para melhorar este ano, aposto por mais horas com uma baby-sitter, já que trabalho menos horas e estou mais tempo com elas de dia. Sei que falta dinheiro nesta equação, mas tem coisas que se resolvem sozinhas. E principalmente, tudo começa com um pensamento.

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Outro desejo que tinha era estar mais envolvida na escola das meninas. Consegui ir nas reuniões da Beatriz, fazer as tutorias da Ana, ter folga nos dias que elas não tem escola. Para isso foi fácil, foi só dar prioridade ao que é mais importante. Não buscar desculpas para não poder fazer essas coisas, porque ninguém é insubstituível – no trabalho – mas as crianças só são pequenas uma vez. Além disso comecei a frequentar um grupo de pais na escola da Ana interessados em discutir o status quo. Propor mudanças e pensar em coletivo. O resultado disso foi ser eleita para presidente da AMPA, a associação de mães e pais da escola. É trabalhoso, envolvente e turbulento. Recebo mais críticas que apoio, mas tento levar a tarefa de forma leve. De qualquer jeito, isso também me ajudou a melhorar os relacionamentos sociais e a minha integração na sociedade catalã. Conheço mais famílias, falo catalão em mais ocasiões, me sinto bem. Isso leva a outro ponto importante, que era melhorar a vida social. No que depende só de mim, a coisa foi bem. A Ana brincou com outros amigos, o que me fez conectar com outras famílias. Tenho novos colegas no trabalho e procuro estar com gente que me proporciona um intercambio de idéias. Rencontrei três amigos que representam um período muito importante da minha vida, que me mostraram que há amizades que não morrem nunca. Claro que também sinto falta de muitos amigos que deixei pelo caminho, não vou esconder. Mas isso se deve ao fato de que eu conheci muita gente, fiz muitas coisas, me deixei levar. Não pode ser ruim.

Por fim, tinha um objetivo emprestado, algo que precisava fazer para satisfazer o marido e alcançar a paz familiar: ter a casa um pouco mais organizada. Não vou dizer que está perfeita, porque não é meu objetivo. Mas está melhor. O nível de exigêngia não é compatível com o compromisso, ou seja, ele não está seguro que deve fazer mais do que faz, apesar de acreditar que tem direito de viver em um lugar mais organizado. Por isso, me concentrei no processo, criei um quadro no Pinterest sobre o assunto e vou fazendo pequenas mudanças no dia-a-dia, sem perder o juizo no caminho. O lado mais visível disso é a organização dos brinquedos e do quarto das meninas. Elas sabem onde encontrar e guardar a própria roupa e os brinquedos. Apesar de que raramente o fazem, porque mamãe sempre está por aí. Mas sei que se eu não estiver, a coisa continua organizada. Para esse ano, vou praticar o desapego com as roupas.

Resumindo, e analisando os objetivos pelos resultados, concluo que para ter melhores resultados devemos escrever melhor os objetivos. Encontrei um critério interessante, tirado de um desses manuais de gerenciamento, leva a sigla em inglês SMART. Em português, e na essência, o objetivo deve ser específico, mensurável, alcançável, relevante e limitado no tempo. Assim, um objetivo vago seria “aprender romeno”, muito complicado de conseguir, porque como eu vou saber se já cheguei lá? Um objetivo específico seria ser fluente em romeno. Que seja mensurável quer dizer que deve acontecer para eu saber que cheguei lá. Neste caso, poder conversar por meia hora com algum familiar do marido. É alcançável e relevante, porque considerando meus recursos (posso falar com meu marido todos os dias) e o uso que vou fazer disso, sei que não vou dar pra trás. E limitado no tempo, quer dizer que trabalhando todos os dias e começando hoje mesmo, posso consegui-lo em seis meses. E isso com todo o resto.

E você? Como foi seu ano? Que pretende para o novo ano?

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