As aventuras de Mini e Maxi · Barcelona · cozinha · lá fora

Às armas, cidadãs

Good.is é minha fonte primaria de informação sobre coisas boas e inovadoras que rolam pelo mundo. Outro dia, lia sobre o lugar das mulheres nas cozinhas profissionais do mundo.  Com motivo da publicação de um artigo na revista Time sobre as pessoas mais influentes no mundo da cozinha hoje em que quase não apareciam mulheres e ela buscava uma explicação.  Falava de como o modo de atuar dos chefs era muito agressivo, entrevistou uma grande chef de Los Angeles que disse que quando começou na cozinha, seus colegas eram todos homens e a faziam chorar todos os dias. Hoje em dia ela emprega muitas mulheres nas cozinhas de seus restaurantes, tanto para dar o exemplo como porque acredita que a atitude da mulher na cozinha é mais ligada à satisfação do espírito que ao fator visual. São menos exibicionistas que os homens e valorizam menos os truques e artimanhas tecnológicas.  Fazem uma cozinha mais emocional. Parece bonito, né? Mas no fim das contas confirma estereótipos sexistas e rotula cozinheiros em papéis femininos e masculinos, quando deveria fazer o contrário.  Leonardo Da Vinci dizia que para ser completo, é preciso saber a ciência da arte, conhecer a arte da ciência; tudo está conectado com tudo. É possível ser criativo, inovador e manter a simplicidade, o amor e carinho das cozinhas de casa. A ciência é parte fundamental da cozinha, as transformações experimentais da cozinha moderna são uma forma de arte, de romper paradigmas, é poesia para os sentidos. Tanto é assim, que a Universidade de Harvard, tem um MOOC (em inglês) sobre cozinha e ciência, parte de um curso regular sobre o tema, no departamento de ciências aplicadas. (É gratuito e estou pensando em dar uma olhada, já que ando com muito tempo livre ;). Cheguei lá através da Ingrid, mãe da Helena, que é uma ativista da comida saudável.  Pelo programa, a interessada vai estudar por exemplo a matéria em diferentes formas, como pode ser uma emulsão, através de uma receita de alioli, um tipo de maionese sem ovo típico da Catalunha. A elasticidade será demonstrada pelo ponto de cozimento de um bife e a difusão será revelada pelo fenômeno da esferificação, técnica criada pelo grande cozinheiro  Ferran Adrià. Cada semana uma receita e uma equação! Instigante, não? Somente o conhecimento pode levar à verdadeira inovação. E isso, não é coisa de homem ou de mulher.

Outra coisa é a atitude dos chefes nas cozinhas, a portas fechadas. Mas contra chefe agressivo, seja na cozinha ou fora dela, precisamos de uma atitude firme. Não aceitar abusos em nenhum nível é um primeiro passo para conquistar o espaço que nos pertence. Porque se já somos maioria nas universidades  e no número de teses doutorais, se já somos a maioria dos pagantes nas salas de cinema; se somos responsáveis pela decisão de compra de quase tudo; para chegar a estar em todos os lugares que desejamos é preciso primeiro uma mudança na mentalidade da própria mulher.

E que isso tudo tem a ver neste blog (de mãe)? Como mãe de duas meninas, tenho o dever de mostrar pra elas que elas podem ser e fazer tudo o que elas imaginarem, sem estar limitadas por papéis impostos pela sociedade e os meios de comunicação.  É difícil e devemos estar atentas, mas acho que desde nossos fogões, computadores, máquinas de costuras, ou mesmo com as nossas próprias mãos, podemos e devemos começar nossa revolução. Às armas, cidadãs!

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