As aventuras de Mini e Maxi · Bolo de mãe não engorda · cozinha

Educação alimentar

Diziam que eu era do tipo falsa magra, por causa da coxa e bunda grande, apesar de magrinha em cima. Não fosse por isso, seria o típico pau de vira-tripa. Mas isso era antes, né? Filhos e o passar dos anos muda um pouco as coisas, mas a tendência segue. Por causa disso, apesar disso, nunca me preocupei muito com meus hábitos alimentares.Sempre comi muito doce, fruta, suco e pouca salada, verdura. Leite integral, muita carne, muito de tudo. Não engordava porque era jovem, tinha bom metabolismo e, acho que o mais importante, era tudo feito em casa. Suco natural – apesar de que hoje eu sou contra sucos em geral, melhor a fruta – era feito com a fruta ou de concentrado, mas o açúcar era a gente que colocava.

Bolos e doces eram – e são – sempre feitos em casa, mesmo nas celebrações mais importantes. Alguns são famosos, como o pudim de leite condensado da mãe, o bolo de abacaxi da tia Maísa, o bolo de nozes da tia Maria, os sorvetes da tia Lilian. Outros são mais do dia-a-dia, como o bolo de chocolate que minha mãe faz cada domingo, os bolos de fubá da vó Circe, o bolo de fubá com goiabada da tia Zilah.
Mesmo nas festas familiares e nas festas e pic-nics da escola, tudo era preparado em casa. Mesmo minha mãe sempre trabalhando fora, e muito, sempre dava um jeito de fazer um bolinho na tarde de domingo. Não era prêmio de nada e não acho que da parte dela fosse uma obrigação, era apenas um hábito, sabe como é, “confort food” total. Ninguém era radical com isso e não tinha doutrinação nenhuma para ser mais saudável. Era assim, porque na casa dos meus avós também era assim e antes, e antes. A parte doce da sobremesa era servida depois da fruta, mas às vezes também rolava uma salada de fruta com leite condensado e outras gordices. Por outro lado, light, diet e similares nunca tiveram lugar na geladeira lá de casa. Um adoçante pro café era permitido para as visitas e os diabéticos.

Outra parte da minha cultura alimentar da infância era ler os rótulos e caixas das coisas que comia. Isso ganhou novo significado desde que tive as meninas e preciso ser responsável pela saúde e pela cultura alimentar delas. Antes era uma mania, agora é parte do processo de compra no supermercado mesmo. Se tem muito E, não compro.

Sei que existe uma tendência atual de resgatar os valores da cozinha tradicional. Programas como o Masterchef, cozinheiros que tratam a arte da cozinha com uma linguagem jovem. Parece que há uma geração de chamados “órfãos da cozinha”, gente que na infância não via ninguém em casa cozinhando. E isso tem consequências para a saúde, que gente como Jamie Oliver quer reverter. Sou fã do cara e adoro o jeito dele apresentar cada receita, visualmente e tal. Mas tenho a sorte de que não preciso realmente ser resgatada.

Por outro lado, como isso tudo para mim é natural, é fácil também deixar pra lá às vezes e escorregar. Agora por exemplo, estou em campanha pelo consumo de frutas e verduras. A Ana faz greve, só como o que quer e chegou ao exagero de ser castigada na escola. Sei que devo insistir, porque é essencial manter um alto nivel de exigência com relação aos sabores, à qualidade dos alimentos. Verdade que dá trabalho, mas é o tipo de coisa que a gente aprende em casa.

A receita de hoje, em homenagem aos veganos, aos bolos feitos em casa e à minha mãe, é um bolo de chocolate e abobrinha. Não publico a receita porque é só por no google que aparecem várias, todas igualmente boas. A abobrinha sem casca ralada desaparece, fica só um sabor suave de chocolate e nozes. Fica muito fofinho e sem manteira nem leite ou iogurte é ideal também pra quem não pode tomar leite.

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2 comentários em “Educação alimentar

  1. Obrigada pela parte da homenagem que me toca! Mas lembro que fazer tudo em casa, além de ser o que via na casa dos meus pais, foi uma escolha, para que todos tivéssemos uma alimentação saudável. Dava mais trabalho, mas também mais prazer. E era uma forma de demonstrar amor. Beijos da mãe.

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