Esperando setembro

Esperando setembro, de novo

Quando a gente estava pesando os prós e os contras de engravidar outra vez, o fato de que eu passei super bem na outra gravidez contou muito. Porque se nao, nao ia rolar, com certeza. Estamos sozinhos – sem família – em um dos países da Europe que pior está vivendo a crise econômica. Nao há emprego – nem bom nem ruim – e as perspectivas sao negras. Temos casa e trabalho os dois, mas da parte dele, é um trabalho como outro qualquer, que o dono pode amanha decidir que ele nao serve e mandar embora. Junta isso que o marido está na reta final de um MBA super puxado e nunca está em casa e ainda por cima viaja frequentemente por trabalho. Se eu somasse a isso a possibilidade de passar nove meses ruins e ainda ter que cuidar da Ana que pobrezinha nao tem culpa de nada, nao tinha aceitado o desafio nao. Mas entre que a outra gravidez foi maravilhosa e que a natureza faz a gente esquecer o pior para o bem da conservaçao da espécie, eu achei que ia tirar de letra.

Acontece que nao tem duas coisas iguais no mundo tao diferentes como duas gestaçoes. Começa que eu achei que ia estar mais tranquila e serena, por causa da experiência. Pois bem, negativo, neste caso a ignorância é uma bençao. Mesmo com toda a leitura sobre tudo o que pode acontecer de ruim, eu na primeira vez nao conhecia outras gravidas e nao conhecia de primeira mao nenhum caso de nada estranho, nem de abortos naturais no peimeiro trimestre. Pois bem, agora, eu praticamente só me relaciono com maes e famílias com filhos pequenos e com isso meu repertório aumentou muito. Nao ter um médico que segura na minha mao e me diz que tudo vai dar certo nao ajuda muito. Quero dizer, no sistema público de saúde daqui quem faz o acompanhamento é a “comadrona”, ou seja, a parteira. É uma enfermeira especializada em partos, ginecologia, etc, e a minha ainda por cima é uma fada. Eu adoro a Mercedes tanto quanto odiei a Nicole. Mas nao é aquele tipo que diz, tranquila, tudo vai sair bem. Ela solta a real de todos os problemas que podem passar, tudo o que o exame pode encontrar, etc. E isso, claro, me deixa apreensiva. Junta com isso que os exames e os ultrassons sao estritamente o mínimo indicado pela OMS e pronto, terreno fértil para pensamentos ruins. Ainda mais porque todo mundo pergunta se eu nao estou passando mal – enjoos, etc – com o resultado que eu acabo sempre achando alguma coisa ruim pra contar. No fim das contas, enjôo mesmo eu nao tive, mas que dizer de uma ciática que me acompanha desde a semana 8, uma azia que já me tira a vontade de comer, e uma sinusite primaveril que quase faz explodir a cabeça? é como se eu tivesse saltado o segundo trimestre – que normalmente é o melhor, a pessoa até esquece que está grávida – e já estivesse aqui sofrendo as dores do terceiro trimestre. E a Ana pedindo colo cada vez mais. Mas isso merece outro post.

Europe
Europe (Photo credit: Niccolò Caranti)

Eu sabia por exemplo que ia me sentir mais cansada, que a barriga ia ficar maior logo, que as pessoas iam falar só do bebê e me tratar como um mensajeiro. Mas estou sendo super paparicada, tanto em casa como no trabalho, e disso nao posso reclamar. Ainda nao sabemos o sexo, mas já temos guarda-roupa para muitas temporadas.

Por outro lado, como nao tive enjoo nao tenho desejo estranhos, porque o que existe eu posso comer. Menos aqueles clássicos crus, queijos, frios, carnes e peixes. Mas nao ando neurótica com isso. Outro diz queria um sushi, levei pra casa e passei o salmao na chapa, o resto era de vegetais e frutas. Claro que aquele churrascao suculento e sangrento está fora da dieta, mas como aqui nao tem nenhum bom, nem me dá vontade.

Acho e espero que quando o bebê chegue sim que vai ser tudo mais fácil, porque apesar de que sabemos que os dois sao diferentes, algumas coisas que eles fazem sao iguais, porque até o bebê do vizinho é igual. E aí a experiência conta, e muito. Tanto a nossa como a das nossas amigas, reais e virtuais.

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2 comentários em “Esperando setembro, de novo

  1. Uau, Mari, parabéns!!!
    Outro para setembro, vc gosta deste mês!
    Sabe, passou o mesmo comigo na segunda gravidez, eu achei que ia ser tudo mais simples, mas não foi, e grande parete por causa da minha cabeça mesmo… realmente, a ingenuidade da primeira gravidez ninguém traz de volta!
    Beijo grande

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