As aventuras de Mini e Maxi · Catalunha · Viagens

Viajar com crianças – parte 1

Món Sant Benet
Image by Jaume Meneses via Flickr

Acho que poderia fazer uma série inteira sobre viajar com crianças, porque ao mesmo tempo que as crianças de uma mesma idade parece iguais em todo o mundo, viajar com elas é uma experiência única. Mesmo comparando duas viagens com a mesma criança. Mas quem nunca viajou, ou já teve uma má experiência, sempre pode se beneficiar de ouvir histórias de mais ou menos sucesso.

A família de Ana é composta de Ana+papai+mamãe, ou seja eu. Os avós estão longe e dão aquele apoio moral, mas a logística de cada dia está nas nossas mãos. Assim, viajar sem a Ana é um projeto que não tem previsão em um futuro próximo. Isso já dá pra pessoa um sentido de realidade e uma necessidade de ajustar as expectativas, a melhor receita para diminuir a frustração. Digo isso pra tudo na vida, mas quando se trata da vida com crianças, é ainda mais imperativo.

Assim que, quando ganhamos dos nossos queridos amigos no casamento  quatro estadias de hotel, nunca pensamos em uma escapada romântica, e sim em uma alternativa interessante com crianças. Porque esse é o primeiro passo para o sucesso da viagem com crianças. Também devo dizer que não era nossa primeira aventura fora, porque já fomos para a Romênia, o Brasil e pra França de carro, todas histórias que valem a pena contar. Mas se lá a gente ia de visita e o importante eram as pessoas, dessa vezes era só a gente. Ver como a gente ia se divertir entre os três, durante três dias, sem estressar demais a pequena.

Primeiro escolhemos um lugar perto. Um hotel em um monastério a apenas 30 kms de casa, na cidade de Manresa. O grande atrativo do hotel, além do monastério, eram os restaurantes – um deles com uma estrela Michelin – e as possibilidades de fazer caminhadas ou passeios em bicicleta. Na verdade é muito mais que isso e merece um post a parte, porque também tem uma fundação impulsada por Ferran Adrià – o melhor cozinheiro do mundo – para o estudo da comida saudável. Muito interessante também para crianças maiores, porque fazem oficinas de cozinha para os pequenos e por isso já está na minha lista pra voltar dentro de uns anos…

Nosso bonus incluía duas noites de hotel e um jantar degustação gourmet, que eu planejava que ia ser a nossa noite romântica. Continue lendo para ver como foi na realidade…

Fora isso, não tínhamos nenhum plano. Isso é mais ou menos um erro, porque pra poder ajustar as expectativas o melhor é você ter alguma. Chegamos lá de tarde e a Ana fez a siesta dela no carro. Nao é o melhor pra criança no dia-a-dia, mas nessas situações é a forma de fazer a viagem mais tranquila para todos, já que os bebês de 18 meses são os que menos gostam de viajar de carro. (Li um comentário do Dr. Carlos Gonzalez que a coisa é tão verdadeira que a melhor solução é evitar as viagens de carro nesta idade. Nós que moramos em um lugar que dá perfeitamente para viver sem carro não vemos nenhuma dificuldade. Mas em São Paulo – por exemplo – penso que a coisa seja mais complicada).

Enfim, chegamos e fomos fazer um reconhecimento do lugar, que a Ana adorou porque no monastério tinha um jardim com uns bancos para ela subir e uma escada linda para ela ir bem alto. E tinha grama e chão de terra, para ela provar novas texturas. E ela se maravilhou com o barulho que faz o sapato escorregando nas pedrinhas do chão de terra batida. Enquanto isso, os adultos estávamos olhando a construção, vendo que parte daquele imponente edifício poderia ser a ruína do monastério do século XII e que parte era uma reforma cafona do início do século XX, etc. A Ana também gostou muito da sala de jogos que fica na recepção do recinto Fábrica, onde está a lojinha e a bilheteria, além do terceiro restaurante. Gostou porque é igual à escola, com livros, brinquedos e folhas para desenhar. Foi difícil tirar ela de lá. Abriu o berreiro mesmo. Resumindo, criança feliz, papais felizes.

Aí começou a parte do plano-que-não-deu-certo-mas-tudo-bem. Pensei que a técnica jantar-banho-massagem-sono-profundo era infalível, mas a menina é mais esperta. Juntando o montão de estímulos e a belezura do quarto novo, ela também percebeu que a gente estava se arrumando para sair. Talvez se eu tivesse explicado muito pra ela antes sobre o que ia acontecer, mas assim a seco ela decidiu que não. Que queria vir junto. É óbvio que ela ia vir junto jantar, mas eu queria que ela estivesse dormindo. Logo eu vi que nao, vesti uma roupa em cima do pijama e vamo que vamo. O jantar romântico virou um jantar em que a estrela era Ana. Ela fez amizade com todas as mesas ao redor e terminou inspecionando o trabalho da cozinha. Lá pelas tantas ela dormiu, segurando a mão do pai. então pudemos tomar a sobremesa tranquilos e aquela última taça de cava rosé.

O que comemos e bebemos e outros detalhes do restaurante e do hotel, no post de amanha!

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