As aventuras de Mini e Maxi

Giselle e sua boca grande, amamentaçao e o quarto mundo

foto da noiva amamentando sua filha durante a festa
Mari e Ana na festa de casamento

Estava aqui olhando a minha pança e lendo sobre o sono e a comida das crianças de quase um ano quando me deparei com uma entrevista da Giselle falando sobre amamentação e outras coisinhas da maternidade. Eu pessoalmente acho que na maior parte das vezes ela perde uma grande chance de ficar de boca fechada, mas nesse caso, depois de ler a entrevista original, eu agradeço que ela seja assim tão boca aberta. A “polêmica” começou quando uma atriz “X” disse que parou de amamentar quando sua filha com três semanas porque se não os papparazis não deixavam ela em paz. Disse que nem podia ficar tranquila em um starbucks que os fotógrafos vinham. Puxa vida que pena, não vou nem comentar. Por causa dessa declaração irresponsável, a Giselle disse que devia ser obrigatório por lei amamentar até os seis meses. Mas ela deve ter esquecido de ler a orientação da OMS de amamentar até pelo menos um ano, sendo que exclusivamente até os seis meses, né? Mas independente das idéias e opiniões que ela tem e que geram um ódio por parte de algumas, o fato é que ela gera polêmica e isso nesse caso é bom, acho.

Ela estava falando só das mulheres que optam por não amamentar por motivos fúteis. Mas eu penso em todas as mulheres que não conseguem conciliar a amamentação com o trabalho por insuficiência de licença-maternidade, e em tantas outras que são convencidas pelos médicos e outros profissionais de saúde de que não tem leite suficiente. Uma lei que obrigue a mãe não resolve esses problemas, principalmente o último. Porque é o poder da indústria alimentar e farmacêutica que cria situações absurdas. Sei de uma menina, mãe-solteira, imigrante e desempregada – típico exemplo do quarto mundo, que são os excluídos nos países desenvolvidos – que vai buscar comida para si na igreja. Vive de favor e tem uma filha de 3 meses. Ela me disse que o leite acabou e que ela estava dando fórmula. Aí eu penso: mas o leite de fórmula não era suuuuper caro? Ela não devia ter feito um “esforço” extra pra seguir com a amamentação? que é grátis??? Aí entra o poder da indústria e a velha “caridade”. Não sei a verdade dessa história porque quando ela disse que não tinha leite eu mudei de assunto, mas imagino que no posto de saúde todas as enfermeiras se dispuseram a dar as mostras de fórmula para essa mãe. Para elas é como fazer “cooperación al desarrollo” sem sair de casa. Saca ser voluntário na África? Só que sem passar calor. Ensinar que o leite da mãe é tudo o que o bebê precisa dá muito mais trabalho e ainda por cima dá independência pra essa mae, ou seja, acaba a “ajuda”.

Sem me extender mais, se a Giselle quisesse ser ativista da amamentação, devia era pedir pra proibir a indústria de dar mostras de leite de fórmula e pedir aos governos melhorar as condições das licenças-maternidade. Sem as mostras todo mundo ia ter que fazer uma forcinha extra pra amamentar, do primeiro ao quarto mundo. E com uma licença melhor então, só ia ficar de fora o grupo dos motivos fúteis e as que realmente necessitam. Pras primeiras está a Giselle aí pra puxar a orelha. Pras segundas está o leite de fórmula, que realmente são as únicas que deveriam consumi-lo.

Eu sei que nenhuma das questões é de fácil solução, mas o importante é não perder o foco do que realmente importa: informação e poder para as mães. Ou, informação é poder para as mães.

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4 comentários em “Giselle e sua boca grande, amamentaçao e o quarto mundo

  1. É, ela fala mesmo demais. Você viu quando ela disse que o filho já não usa fralda? É de matar qualquer mãe de inveja!
    Mas a questão da amamentação é séria. Aqui estão tentando passar uma lei que aumenta para 6 meses a licença-maternidade, mas com as taxas que os patrões pagam, só vai piorar a situação das mulheres que trabalham. Enfim….

  2. Falou e disse Mari! Muito bom seu post. Nesse mundo da maternidade onde pitacos, conselhos e discursos aguerridos não faltam, informação para as mães é poder, sim! Beijoca em você e na filhota.

  3. Meus peitos estão tão enormes que acho que vou amamentar por uns bons anos. rs
    Minha mãe tem orgulho de dizer que me deu de mamar até um ano e meio. E graças a isso tenho uma saúde impecável!

    Viva a livre demanda do mama.

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