As aventuras de Mini e Maxi

Duas histórias (de amamentaçao)

Esta semana fui ao consulado renovar meu passaporte. Levei a Ana, porque ela anda meio grudada em mim e ainda mama a cada duas ou tres horas, sem muita regra. Fui de sling porque o consulado fica perto de uma estaçao do trem que nao tem nem escada rolante nem elevador.

Enquanto eu esperava a minha vez – quem tem criança passa na frente, mas talvez por isso mesmo éramos muitos – uma mulher com um bebezinho bem pequeninho veio falar comigo. Ela viu a Ana assim grandona e perguntou se eu ainda dava o peito e tal. Queria saber como eu tinha feito quando o peito rachou e começou a sangrar. Eu disse que o meu nao chegou a sangrar, porque eu fui no grupo de amamentaçao, que é o que ela deveria fazer.

Ela contou que era mae solteira, que tinha tido um parto difícil e que as infermeiras nem explicaram como dar o peito deitada na cama, nem uma palavra de apoio. E que, claro, na saída deram uma lata de leite de fórmula. E que a pediatra deu mais, porque o bebê perdia peso. Mas ela queria amamentar, porque sabia que era o melhor para o bebê, né? Entao eu lembrei de como eu estava quando a Ana tinha dez dias e disse que a melhor dica que eu podia dar pra ela – além da pomada, do protetor de seio, do banho quente antes e frio depois e muuuito importante, esvaziar a teta um pouco antes de dar ao bebê pra ficar mais fácil a pegada, era recomendar uma assessora de lactância. Que as voluntárias do grupo ALBA (aqui) vao na sua casa e te ensinam várias posiçoes, truques e o mais importante, te dao confiança para seguir.

Ela contou como todo mundo a estava ajudando tanto, dando coisas ou mesmo uma palavra amiga, como era o meu caso. Eu pensei que talvez ela estivesse pedindo alguma coisa mais, mas achei que essa informaçao era mais valiosa que dinheiro, né? Poder amamentar seu filho te dá um poder enorme, evita, por exemplo, ter que começar uma vida que me pareceu por si difícil, pedindo leite no hospital. Ela me agradeceu quase com lágrima nos olhos, como eu também, e espero que as coisas saiam bem pra ela e o pequeno.

Do outro lado do Atlântico, uma jovem mae de classe média, bem casada com um médico ginecologista – ela mesma pediatra – e rodeada do apoio e carinho das famílias, também tem problemas para amamentar. Só que ao contrário desta daqui, aquela nao pediu ajuda pra ninguém, nem ouviu o seu coraçao. Passou pela crise das três semanas, dos dois meses e dos três meses e decidiu que seu leite “nao alimenta”.  O fator econômico aqui nao importa nada, ela quer fazer o melhor para seu filho. Mas ele também nao quer a mamadeira e aos quatro meses sofre de refluxo… Uma assessora de lactância – que nao é médica e muitas vezes nem infermeira – podia ter feito muito mais por eles que qualquer livro de medicina.

Nao estou contando esta história pra julgar nem rotular ninguém, é só pra contar mesmo. Talvez meu ponto seja mais que numa hora dessas, o melhor é saber o que se quer, visualizar o resultado positivo e ao primeiro sinal de que as coisas nao estao indo no bom caminho, pedir ajuda. Porque no fim das contas, os filhos sobrevivem, é a gente que depois fica pensando como teria sido se isso, se aquilo…

Aproveito pra deixar um beijo enorme de Feliz Dia das Maes, pra todas as maes presentes e futuras e pra minha mae. Te amo.

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2 comentários em “Duas histórias (de amamentaçao)

  1. Que lindo, Mari.
    Eu sem o apoio das minhas amigas e principalmente da minha Hebamme (a parteira que ajuda a mae até a 7-8 semana, principalmente com a questao do leite, aqui na Alemanha), provavelmente nao teria vencido todos os problemas que tive com a lactancia nas primeiras 3 semanas e nao estaria hoje amamentando a Hannah quando ela bem entender, e é leite que nao acaba mais que até hoje minhas camisetas ficam manchadas ao longo do dia.
    Feliz dia das maes pra voce!

    1. Pois é Cami, e olhando daqui pra trás, a gente até esquece o difícil que foi, né? Feliz primeiro dia das maes pra você também!

      Mariana

      ________________________________

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