Esperando setembro

Notas de uma gravidez

Agora que o chá de bebê já passou, que o berço já está em casa – y otras cositas más – é como se eu tivesse que enfrentar a dura realidade: essa história de barriga está acabando. Estou vivendo na carne um tipo de melancolia – positiva, acho – da despedida deste momento. Por um lado ainda falta tempo, 8 semanas, mas por outro a consciência de que o momento está aí na volta da esquina é cada vez maior.

Já escolhemos o hospital – nao vai rolar parto em casa, muito embora eu ache todas as histórias lindas – e agora estou às voltas com a malinha da maternidade. Nao consigo comprar uma nem uma calcinha que me sirva e isso me deixa um pouco chateada, mas sei que isso nao é muito importante, logo passa.

Entao fui na biblioteca e peguei uns livros sobre a maternidade e comecei a lembrar coisas dos primeiros meses, que acho que nao escrevi aqui por que foi antes de contar que estava esperando setembro.

E o primeiro capítulo é com certeza sobre os “desejos” típicos da gravidez. Porque parece que psicologicamente isso é uma forma do corpo mostrar pra mae o que vai ser depois viver para atender aos desejos incompreensíveis da nova criaturinha. E embora eu goste de dizer que nao tive desejos estranhos, nem tive enjôo, nem engordei muito, a verdade é que eu me transformei muito.

Uma das coisas que o Silviu conta pra todo mundo é um hábito que eu tive logo no começo de comer antes de levantar da cama. Porque eu li que o que causava o enjôo era beber de estômago vazio e levantar sem comer nada. Entao eu tinha um prato de bolacha do lado da cama. O Silviu foi viajar, voltou uma semana depois e de manha acordou com esse barulhinho estranho de bolacha fazendo crack crack. Daí o conjunto Ana e eu, que até entao nao tinha nome, era só um feijaozinho, ganhamos o singelo apelido de Gremilin…

Mas acho que ainda mais importante que essa fase, que na verdade só durou uns dias, era uma urgência angustiante para comer. Só de pensar na possibilidade de nao ter o que comer já me deixava ansiosa e por isso eu tinha que ter sempre alguma coisa na bolsa. Eu nao saia sem o meu lanchinho. E se nao já ia no caminho pensando onde podia comprar alguma coisa pra comer. Aqui na Espanha qualquer padoca faz uns lanches deliciosos com “jamón” e pao com tomate, mas claro, o “jamón” pra mim está proibido, no-way. Entao ia de presunto e queijo mesmo, numa boa.

Aí chegou um ponto que eu tinha tanta fome que cansei de comer a comida daqui. E foi entao que um dia eu sonhei com um bife a parmegiana. E todas as outras comidas que só podia encontrar no Brasil. Mas eu sou paciente, e uns dias depois eu fui com o Silviu e a Ceci, uma amiga argentina, comer em um restaurante argentino. Claro que eu saí perdendo com a minha “milanesa”, porque eles comeram um suculento bife de entranha que só o cheiro me faz delirar. (Por causa da toxoplasmose, carne com sangue nem pensar). Mas deixa estar, quando setembro chegar, eu volto lá e como!

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6 comentários em “Notas de uma gravidez

  1. Muito bem Helo, leu até o fim este post enooorme. Eu nao pus o link porque pensei que o pessoal já estava cansado de saber sobre a tal da toxoplasmose. É uma doença que se transmite pelo gato. Do gato passa para outros animais, para as plantas – e verduras e frutas – e etc. Só o gato fica doente e é uma bactéria – acho – que nao afeta a vida de ninguém, só dos bebês dentro do útero da mae. Por isso, no primeiro exame que se faz o médico vê se a mae já esteve contaminada – é muito normal principalmente se vc é fan de carne crua – e dá a dieta. Se nunca teve, o risco de ter agora é alto, entao tem que continuar na secura de carne crua – ou mal-passada – salada que vc nao sabe se foi bem lavada e outras coisinhas mais. Entre elas estaria o jamon, que é cru apesar de envelhecido. Claro que isso aqui na Espanha é meio tabu, porque jamon aqui é tipo arroz com feijao no Brasil. Entao a Nicole liberou! Mas como eu nao sou daqui nem louca perdida por esta iguaria, quase nao comi. E aí está, nada de toxoplasmose nesta barriguinha. Agora, vc que é casada com um argentino, vai comendo tudo que vc vir na frente de carne crua. Quem sabe você pega a maldita?

  2. Nossa! Nunca soube disso sobre a carne crua! Tudo bem que nem sou fã. Ainda bem que as minhas barrigas sobreviveram à minha ignorância!
    Gostei muito do que você escreveu. Estou orgulhosa da minha pequena Grimlin. Beijos.

  3. Oi! Meu exame deu negativo para toxoplasmose, então a médica mandou não comer um monte de coisas,Além da toxo, tem outros problemas que podem afetar o bebê. Algumas bactérias presentes nos alimentos podem apenas dar dor de barriga num adulto, mas se atingirem o frágil feto no ventre da mãe, podem causar problemas graves: neurológicos, físicos, etc.

    – carne mal passada ou crua (porco, ave, peixe e boi)

    – laticínios não-pasteurizados (leite, queijo, iogurte, etc. -> tudo deve ser pasteurizado, ou seja, fervido a temperaturas altíssimas e resfriado a temperaturas baixíssimas logo em seguida… então aquele “leite direto da vaquinha da fazenda” está proibido)

    – verduras, legumes e frutas mal lavados (para comer esse tipo de alimento, primeiro é preciso desinfetá-los, deixando tudo de molho numa solução com cloro ou água sanitária durante pelo menos 20 minutos)

    – alguns tipos de embutidos, como mortadela e queijos mais “moles”.

    Ela também pediu para eu não tomar nada que tenha cafeína, pois estudos indicam que pode ser abortivos.

    Cortei tudo isso (a carne não foi sacrifício, pois não como carne vermelha mesmo, nem gosto de peixe cru) sem problemas. São pequenos sacrifícios para o bem do meu bem maior: meu bebê.

    1. É blogdagrávida, o mais importante é ouvir bem o que a médica diz, por em perspectiva (quer dizer, entender o porquê da priobiçao) e seguir à risca. Legal que você tem na ponta da língua todas as suas restriçoes, né? Depois você vai ser uma maezona também.

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