O tempo vai passando, a cria vai fazendo coisas incríveis e se a gente esquece de escrever, depois nem lembra quando foi isso e aquilo… Então aqui, um pouquinho de lembretes para o futuro:
Nesses dias que a Ana e eu ficamos doentes, descobri uma coisa. Ela a-do-ra arroz e feijão. Se tiver, ela come todo dia. E gosta muito de tomate e pepinos, pode comer até um pepino pequeno inteiro. E ultimamente gosta mais de leite – sem nada – do que de iogurte. Acho que tem a ver que eu dou sem sabor – como sempre – e na escola eles comem com açucar.
Também foi nesses dias que ela disparou a falar. Parece uma matraca, e fala muito português. Quer dizer, base é o catalão, mas o vocabulário é brasileiro. Então fica assim:
¨Aqui no ni ha feijão, aqui hi ha feijao¨.
¨Que no te caiguis¨(diz para ela mesma, mas a idéia é ficar pro no subjuntivo também.
E tem outras frases que ela vai repetindo, repetindo: ¨Callate! Callate y come!¨ Minha primeira reaçao foi de espanto, porque não acho que seja a forma adequada de se dirigir a uma criança, ainda mais quando a criança é seu aluno. (É evidente que ela repete o que diz a educadora). Mas como aqui entre o fator intercultural, me limitei a dizer pra Ana que aqui em casa a gente não fala assim. A gente diz que se deve comer em silencio. E olha que ela guardou, porque agora no jantar às vezes ela solta um callate e outras ¨silencio!¨
Nesses de ficar repetindo frases aleatórias, a que eu acho mais engraçada é quando ela, com a chupeta na mão diz, na maior cara de pau. A Ana é uma menina gandre, não usa chupeta. A chupeta é para os bebês. Espero que um dia esta verdade ressoe e ela deixe a chupeta pra lá… De momento ela só usa em casa, quando está cansada e para dormir. Mas pelo menos ela sabe o que esperam dela.
No capítulo das palavras impronunciáveis, uma delas é grande, que ela troca o lugar do R. Fica engraçado e na minha opinião muito mais difícil de dizer, mas eu sei que isso vai se resolver com o tempo e não perco tempo em corrigir. Repito o certo e pronto. Outra palavrinha é funciona, que ela usa na expressão ¨não funciona¨, tanto para dizer que não funciona como para dizer que por exemplo não cabe. Mas o engraçado é que o F nao existe, ela diz S: sunciona.
Por outro lado, ela está aperfeiçoando alguns sons específicos do espanhol, como o som do J em jamón. É o som de um R gutural como em rato, mas bem forte: rrramón. Acho ótimo, porque aí ela nunca vai ter problemas para dizer Jorge… E outras palavrinhas daqui.
Desejo a tod@s um domingo ameno em família. Aqui parece que o longo e tenebroso inverno já passou e hoje além de sol está fazendo um calorzinho bem quentinho. Marido e Ana estão dormindo, mas se eu tiver sorte quando acordarem ainda vai dar tempo de dar uma volta de bici por aí.

Ana com a cara pintada de mágico na semana do Carnaval




Mari, pois é, quem sai aos seus, não degenera, não é mesmo? Arroz-e-feijão do lado brasileiro e pepino, do lado romen, se bem que eu também adoro pepino….. Ontem no Skype pude ver como ela está falante e foi emocionante ouvir, mesmo antes de ver, ela falando “vovó Silvia”. É tão doce…..Beijos.